O Ecomuseu

Ribeira de Pena é um concelho de fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes, onde se encontram o Alvão, o Barroso e o próspero vale do Tâmega. Fruto desta situação, possui um património rico e peculiar, de contrastes e simbioses que estão na origem de uma identidade muito própria caracterizadora da sua comunidade.


O Ecomuseu de Ribeira de Pena pretende preservar e divulgar o património cultural da comunidade ribeirapenense, assim como promover e dinamizar a ação cultural na sua região de implantação.










terça-feira, 21 de abril de 2020

Museu da Semana 5 - O Museu do Linho


O concelho de Ribeira de Pena é conhecido pelo trabalho artesanal do linho que, especialmente na freguesia de Cerva e Limões, merece grande reconhecimento pela qualidade das peças elaboradas no tear por exímias tecedeiras. As tecedeiras de Limões especializaram-se no trabalho dos panos rifados, cuja perícia levou ao reconhecimento por parte das casas nobres da região, que aqui se abasteciam dos melhores trabalhos em linho. Guardados no maior segredo, os desenhos de padrões são passados de geração em geração e trabalhados com linho que é aqui semeado, tratado e tecido de forma tradicional antes de ir para o tear.

 

Desenvolvido em conjunto com as tecedeiras de Limões, o Museu do Linho está instalado numa antiga casa de agricultores abastados, situada no centro da aldeia, onde sempre se trabalhou o linho.
Além da recolha e inventariação das técnicas, objetos e arte ligada a esta tradição, este núcleo preserva também os saberes, cantares e memórias associados ao trabalho artesanal do linho na região, que o visitante poderá explorar ao longo da exposição onde se alia o tradicional com o multimédia.




 

A exposição "O Ciclo do Linho"

Parte integrante da exposição é a oficina do Grupo de Tecelagem de Limões – Cooperativa de Artesanato, onde as tecedeiras exercem a sua atividade nos teares. Aqui, são as próprias tecedeiras que demonstram as técnicas tradicionais e permitem ao visitante experimentar também o trabalho artesanal do linho.

 

A oficina das tecedeiras é parte integrante da exposição

O importante trabalho deste núcleo foi já reconhecido pela Associação Portuguesa de Museologia (Prémio Parceria 2017 – Menção Honrosa) e pelo projeto Internacional EULAC-MUSEUMS.

 

 

Os visitantes são convidados a experimentar o trabalho artesanal

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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Museu da Semana 4 - Outros locais

 Além dos monumentos já identificados, existem no concelho de Ribeira de Pena outros locais classificados ou em vias de classificação que abordaremos de seguida.


Está classificado como Conjunto de Interesse Municipal o conjunto de Moinhos de Bustelo.
Localizado ao longo do Rio Lourêdo, junto ao limite com o concelho de Vila Pouca de Aguiar, este conjunto de moinhos é revelador da energia que caracteriza este curso de água. Composto por treze estruturas, apresenta várias baterias de moinhos aproveitando a orografia do terreno com o auxílio de pequenas levadas. Particularidades são a existência de um moinho com três mós, testemunho da capacidade produtiva de outros tempos, e a existência de um pisão, estrutura que permitia trabalhar a qualidade das mantas de lã com o auxílio da força das águas. Grande parte do conjunto encontra-se hoje em ruínas, preservando-se apenas dois moinhos ainda em funcionamento junto à aldeia de Bustelo, um dos quais conhecido como “Moinho do Povo”. A classificação do conjunto foi deliberada em Acta da Assembleia Municipal de 28-12-2007.

Encontram-se ainda em vias de classificação pela Direção-Geral do Património Cultural três locais do concelho de Ribeira de Pena.


Um desses locais é o Menir de Alvadia, também conhecido como Pedra d’Anta, localizado numa zona denominada de Veiga de Anta, próximo da estrada entre Alvadia e Macieira. Trata-se de um menir de grandes dimensões, com 4,30 metros de comprimento. Apresenta uma base rectangular desenvolvendo depois um corpo de duas faces que termina em forma elíptica. Encontra-se fora da sua posição original, vertical, tendo sido retirado há várias décadas com vista à reutilização da sua pedra. Actualmente apresenta-se deitado junto ao seu local de implantação original. Na face visível possui duas cruzes gravadas que não serão únicas no monumento. Este menir encontra-se num ponto importante de acesso natural entre a Serra do Alvão e o vale de Cerva, o que sugere uma função de ordenamento territorial. Próximo deste, a Noroeste, existiu um outro mais pequeno cuja pedra terá sido reutilizada. É também provável que tenham existido mais monumentos megalíticos nas proximidades, o que é indicado pelo topónimo de “Veiga de Anta” que designa o lugar onde hoje existe uma zona de cultivo.


Outro local é a Necrópole da Póvoa, situada na periferia Norte da aldeia da Póvoa. Trata-se de um conjunto de sepulturas escavadas na rocha granítica que terá constituído parte de um antigo cemitério de provável origem altimedieval. Num total de quatro exemplares visíveis, dois possuem ainda forma antropomórfica, ou humana, encontrando-se os restantes apenas parcialmente visíveis. Localiza-se junto a um caminho com marcas de rodados de carroças que foi parte da antiga estrada real de ligação entre o Minho a Trás-os-Montes pela Ponte de Cavês, rumo a Gouvães da Serra e ao Castelo de Aguiar. Este caminho foi a principal ligação da região, pelo menos desde a Idade Média até ao final do século XIX, altura em que é construída a atual E.N 206. Esta necrópole poderá ainda estar ligada à existência de um povoado Pré-Histórico nas proximidades que terá tido ocupação romana e que estará na origem da aldeia da Póvoa, muito anterior ao conjunto de casas dos séculos XVII e XVIII que caracterizam o actual povoado.


Também a Ponte de Lourêdo se insere neste grupo, hoje pouco utilizada devido à perda de importância do caminho que serve. No entanto, esse caminho serviu durante séculos quem pretendia deslocar-se entre Ribeira de Pena e Cerva, ligando os Seixinhos a Vilarinho, representando, a par com a ponte da Póvoa, a única forma segura de atravessar o Rio Lourêdo. De estrutura em pedra de granito, possui um tabuleiro em forma de cavalete, com a particularidade de, no lado de Vilarinho, o tabuleiro ficar direito por ligar a um nível superior do terreno. Possui um arco de grandes dimensões, em forma de ogiva e ligeiramente abatido com aduelas longas e estreitas. Possui guardas em pedra e o pavimento calcetado, onde ainda é possível visualizar as marcas profundas deixadas por séculos a servir de passagem a carros e carroças. De provável origem medieval, como atestado pela estrutura gótica e pela antiguidade do caminho que serve, preserva ainda uma paisagem bucólica que a envolve.

Merecem ainda referência os locais que estiveram já em vias de classificação, mas cujo processo foi encerrado sem resultar em qualquer medida de proteção.


Um destes locais é a aldeia de Limões. Localizada numa encosta do Alvão, na região Sul do concelho, a sua economia é fundamentalmente dedicada à produção agrícola e à pecuária. É sobretudo conhecida pelos seus linhos rifados, a que a tradição atribui grande riqueza decorativa e perfeição e que no passado terão estado entre os gostos mais nobres da região. Esta aldeia possui um núcleo central de casas em pedra talhada, algumas delas casas rurais de grande riqueza, em grande parte construídas nos séculos XVII e XVIII. Foi precisamente este núcleo que recebeu um procedimento de classificação como Conjunto de Interesse Público pelo então IPPAR. A origem do povoado, no entanto, será medieval, época que nos dá notícia de passagem no local de um caminho de ligação a Vila Real ao longo do qual se terá estruturado o povoado. A sua desclassificação deveu-se sobretudo a factores de ordem comunitária, relacionados com o bem-estar dos seus habitantes.


Outro local é a Ponte de Arame sobre o Rio Tâmega. Trata-se de uma construção datada de 1913 tendo a sua construção motivada pela necessidade de ligação entre as duas margens ao longo do Inverno, quando o caudal do Tâmega encobre as diversas poldras e açudes e torna a travessia por barca perigosa. Quando esta ponte foi construída, apenas existia nas proximidades um pontão entre Balteiro e Viela, o Ponderado, que facilmente fica submerso impedindo a ligação entre os habitantes das duas margens. Trata-se de uma ponte de madeira suspensa em cabos de arame retorcido, hoje reforçados por cabos de aço, com portais de pedra em ambas as margens. A sua travessia, devido a estas características, revela-se uma experiência inesquecível, complementada pela paisagem bucólica que o Rio Tâmega oferece. Foi uma travessia importante até à construção da nova ponte de pedra em 1963, cem metros a montante, que serve hoje a E.M. 312. De acordo com a lenda, a sua construção foi motivada pela falta de bacalhau por altura da Consoada, num ano em que o rio impossibilitou o seu fornecimento. Foi então engendrado um plano para a colocação de uma corda a ligar as duas margens, que possibilitaria o fornecimento do desejado bacalhau por meio de uma roldana. A tentativa de ligar as margens, no entanto, terá saído gorada pela falta de potência dos foguetes utilizados para lançar a corda, ou a falta de engenho dos intervenientes de então. Ex-líbris do concelho, encontra-se em trabalhos de relocalização devido à construção da Barragem de Daivões que irá em breve inundar este local.

Percorra aqui o roteiro completo.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Museu da Semana 4 - Os Imóveis de Interesse Público.


O concelho de Ribeira de pena possui no seu território quatro locais classificados como Imóveis de Interesse Público. São eles a Estação de Arte Rupestre de Lamelas, o Castro de Cabriz, o Pelourinho de Cerva e o Castro do Lesenho.



A Estação de Arte Rupestre de Lamelas localiza-se próximo da sede do concelho. Também conhecida como Eira de Lamelas, carateriza-se por um rochedo de grandes dimensões situado numa zona aplanada do pinhal de Lamelas que possui toda a sua extensão coberta de símbolos gravados na rocha. Estas gravuras rupestres, compostas por cruzes, formas geométricas, linhas e covinhas, terão sido gravadas em épocas diferentes desde o Neolítico, há cerca de 5000 anos, e dão um significado místico e religioso a este local. Os símbolos apresentados remetem-nos para o culto do Sol e das estrelas associado aos cultos agrários pré-cristãos, numa época em que o Homem começa a praticar a agricultura e desenvolve um culto ligado à fertilidade. Seria, por isso, um local de rituais, um santuário pré-histórico onde acorreriam os povos da região nas festividades do equinócio e do solstício, o que lhe terá atribuído algumas lendas pela tradição popular. Está classificada pelo Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986.


O Castro de Cabriz, próximo da aldeia homónima, situa-se no outeiro do Alto do Castelo, sobre o rio Póio. Este povoado terá sido ocupado desde a Idade do Cobre, há cerca de 5000 anos. A sua ocupação, no entanto, ter-se-á prolongado pela época Romana, época em que terá ultrapassado as suas muralhas ao longo da encosta Ocidental dando origem ao povoado do Couçadoiro. Este povoado terá sido habitado, pelo menos, até aos primeiros séculos da Idade Média. Testemunhos desta ocupação são os vestígios de cerâmica que ainda se encontram, mas principalmente as notícias de tesouros monetários e artísticos, de épocas romana e altimedieval, destacando-se entre todos pela raridade um arreio de cavalo visigótico. Apesar da destruição que conheceu ao longo das últimas décadas do século XX, são ainda visíveis vestígios de duas das muralhas superiores e algumas estruturas no patamar superior. Está classificado pelo Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990.


O Pelourinho de Cerva é um marco que se preserva da autonomia do antigo concelho de Cerva, composto pelas freguesias de Cerva, Limões e Alvadia, que foi independente até 1853. Trata-se de um pelourinho de estrutura simples, em granito, com uma tipologia que o integra nos pelourinhos de pinha. Apresenta uma base em forma de cubo onde assenta a coluna plana octogonal com bocel. Assente directamente na coluna encontra-se o ábaco, quadrangular, liso, saliente, que após um estrangulamento dá lugar ao remate em forma de pirâmide de base quadrangular. Toda esta estrutura assenta num soco quadrado de um degrau. Na base possui ainda a inscrição “1617 ANOS”, indicando a sua provável construção ou reconstrução, já que remete para mais de cem anos após a atribuição do foral a Cerva, em 1514, por D. Manuel I. Este monumento manteve-se no seu local de implantação original até 1930, junto à antiga Câmara Municipal na Casa de Paço Vedro. Foi depois transferido para o largo do Mercado Paroquial, junto à Capela das Almas e onde desemboca hoje a estrada de Ribeira de Pena. Posteriormente foi desmontado e assim se manteve até 1952, altura em que por iniciativa da Junta de Freguesia volta a ser remontado na localização actual. Está classificado pelo Decreto n.º 23 122, DG, I Série, n.º 231, de 11-10-1933.


O Castro do Lesenho situa-se em pleno planalto Barrosão, na zona mais elevada da freguesia de Canedo. Dividido administrativamente com o concelho de Boticas, este povoado de grandes dimensões apresenta ainda visíveis vestígios das cinco linhas de muralha que possuiu, duas das quais circundantes, e algumas casas circulares. Com ocupação provável ainda na Idade do Cobre, há cerca de 5000 anos, terá sido um grande povoado na Idade do Ferro, há cerca de 3000 anos, e conhecido ainda ocupação na época Romana. Destacam-se as quatro estátuas de guerreiros lusitanos aí encontradas e as obras de restauro que recebeu recentemente. Dada a sua localização, surge identificado no concelho de Boticas, embora uma parte das estruturas se encontre na freguesia de Canedo. Está classificado pelo Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990.


Para saber mais, clique nas imagens.


quarta-feira, 15 de abril de 2020

Museu da Semana 4 - Os Monumentos Nacionais



No concelho de Ribeira de Pena existem vários sítios classificados, mas apenas um ostenta a classificação de Monumento Nacional, a mais elevada categoria de protecção atribuída pelo Estado Português. Trata-se da Ponte de Alvite, ponte de origem medieval, ou talvez Romana, sobre o rio Póio que ainda hoje marca a paisagem com a sua imponência.

 

Vista do talhamar, a montante, e de um dos arcos, a jusante

Na época Medieval, esta ponte servia uma estrada de ligação entre o Vale do Tâmega e Vila Real, por Limões. Possui um tabuleiro assente sobre dois arcos redondos, ligeiramente abatidos, acessível por duas rampas que o ligam às margens. Possui ainda guardas em pedra, contrafortes e um talhamar, a montante, no pilar entre os dois arcos, conferindo-lhe robustez. Num dos parapeitos possui a data 1603, o que indicará uma provável reforma que lhe terá dado a configuração atual.

A Ponte de Alvite na coleção de postais da década de 1920

Juntamente com a Ponte do Lourêdo, entre os Seixinhos e Vinharinho, constitui actualmente o exemplar mais antigo do concelho. Encontra-se classificada pelo Decreto nº 29 604, DG 112 de 16 Maio de 1939, que a identificou erradamente no concelho de Mondim de Basto, erro entretanto detetado uma vez que este rio não entra naquele concelho. A classificação desta ponte ocorreu poucos anos depois das cheias de 1935 que destruíram duas pontes medievais então existentes no Rio Póio. Na época, além da Ponte de Alvite as margens deste rio eram ligadas também pela ponte de Cabriz e pela Ponte Grande de Cerva. Apenas a primeira subsistiu, mantendo-se hoje como elemento monumental que integra os Tesouros de Portugal.

Para saber mais


terça-feira, 14 de abril de 2020

Museu da Semana 4 - Roteiro Tesouros de Ribeira de Pena


Na semana em que se celebra o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a ação "Museu da Semana" irá dedicar-se ao Roteiro Tesouros de Ribeira de Pena, que engloba os monumentos classificados no concelho de Ribeira de Pena. Ao longo da semana estes monumentos serão aqui apresentados, levando o visitante numa visita virtual pelo concelho de Ribeira de Pena.

O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982 pelo ICOMOS, Conselho Internacional para os Monumentos e Sítios, e logo aprovado pela UNESCO. Tem por objectivo a sensibilização para a protecção do património cultural e natural, propondo anualmente um tema diferente que oriente as actividades de celebração do património.



A classificação do património em Portugal é regulada pela Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro, que define a Lei de Bases do Património Cultural, estando hoje atribuída essa competência à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Esta Lei estabelece três tipos de classificação do património, para sua protecção e valorização, com a seguinte ordem de importância:

MN – Monumento Nacional

IIP – Imóvel de Interesse Público

IIM – Imóvel de Interesse Municipal

Todas estas classificações podem ser aplicadas a monumentos, conjuntos ou sítios que constituem os Tesouros de Portugal.

 
Alguns sítios classificados no concelho de Ribeira de Pena
(Gravuras de Lamelas / Ponte de Alvite / Castro do Lesenho / Pelourinho de Cerva)

O concelho de Ribeira de Pena, na fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes, caracteriza-se pela riqueza do seu património natural e cultural, não sendo por isso de estranhar a existência de vários locais classificados no seu território. Com o objectivo de divulgar este património e sensibilizar para a importância da sua preservação, o Município de Ribeira de Pena, através do Ecomuseu, organizou o Roteiro Tesouro de Ribeira de Pena. O conjunto de locais que o compõem permite também percorrer a história que caracteriza este território, desde a Pré-história ao Século XX e conduz o visitante num roteiro pelo concelho, contactando com outros pontos de interesse histórico, artístico, imaterial e ambiental que se revelam uma agradável descoberta.

Em cada ficha de visita, o visitante tem acesso a uma descrição do monumento, informações sobre o acesso ao local e sobre outros pontos de interesse nas proximidades. Cada sítio está ainda identificado por um código de barras com as coordenadas GPS, para leitura por meio de smartphone ou tablet. Todos os locais se encontram acessíveis para a visita. Hoje, no entanto, convidamo-lo a visitar os locais, sem sair de casa.

Link para o Roteiro


quarta-feira, 8 de abril de 2020

Museu da Semana 3 - Exposição "A Escola Tradicional"

Na memória de todas as pessoas que aprenderam a ler e a escrever surgem algumas imagens: o professor, o livro, o caderno, a escola.
Filomena Beja in "Muitos Anos de Escolas"


Os diversos planos de ensino público promovidos pelo Estado Português a partir do Século XVIII levaram à criação de numerosos edifícios escolares para o ensino primário no concelho de Ribeira de Pena. Estes edifícios e o equipamento escolar de que foram dotados fizeram parte do quotidiano de professores e alunos e fazem hoje parte da memória de gerações de ribeirapenenses. Com o programa de criação dos parques escolares e o crescente despovoamento, as escolas foram deixadas ao  abandono e sob risco de perda de uma herança com décadas de história.


 

A criação da Casa da Cultura – Museu da Escola vem salvaguardar este património ligado ao ensino escolar primário no concelho de Ribeira de Pena, de espaços e equipamentos, mas também de memória das diferentes gerações que ainda hoje recordam a sua escola primária, muitas vezes a única que frequentaram. É, ao mesmo tempo, percorrer a história do ensino primário em Portugal, pela arquitetura, pela legislação, pelas imagens e recordações que são parte da nossa memória coletiva e que permitem compreender a escola primária de hoje.
A Casa da Cultura – Museu da Escola é ainda um espaço onde a dinâmica cultural e educativa vivem de mãos dadas, preservando a função pedagógica da escola Adães Bermudes onde se encontra instalada. Permite aos mais jovens consolidar a matéria das aulas de forma dinâmica e divertida, ao mesmo tempo que disponibiliza aos professores recursos de apoio à sua atividade.



 

 


 
O Plano dos Centenários veio dotar as salas de aula de mobiliário padronizado e de uma organização rígida que nem o professor podia alterar.
O mobiliário escolar elementar, desenhado pelo Arq.º Silva Bessa em 1943, é hoje a imagem da sala de aula tradicional e contava com 24 carteiras rígidas de dois lugares, secretária do professor, quadro de lousa, estante para material de ensino e relógio de parede.


 
 
A disposição da sala de aula e os materiais didáticos




A régua palmatória e outros equipamentos de apoio ao professor

 


 O mobiliário escolar

 

Os "Livros Únicos" e os exames ao longo do tempo


 

No séc. XIX  Camilo Castelo Branco veio para Ribeira de Pena estudar Latim com o padre Manuel da Lixa, na Granja Velha, levando daqui as bases que o viriam a tornar num grande escritor.

Fui daquela terra para outra, onde vivia um mestre de latim,
sujeito de não vulgar lição, pregador de fama e bom velho sobretudo.

Camilo Castelo Branco in "Ao anoitecer da vida"