A obra em referência é uma Comédia em que Camilo Castelo Branco se retrata a si mesmo no papel de protagonista (um estudante disfarçado de lubis-homem) rodeado de todo o cenário que circunscreveu a sua vida em Ribeira de Pena, na altura em que se casou com Joaquina Pereira de França: um estudante travesso e conquistador, um galanteador que se enamora de Joaquina (retratada na personagem Mariana) sem prever as consequências. Para além do valor biográfico de que se reveste a obra, Lubis-homem é também a narração de uma série de quadros de vida campestre na região: serões, encamisados, estúrdias, arraiais, crenças e preconceitos populares, que a Filandorra-Teatro do Nordeste reproduziu em palco, regressando a meados do século XIX.
Esta produção, além de toda a Companhia, entre atores, técnicos e produção, pretendeu envolver a população local numa experiência de Teatro e Comunidade a partir da inclusão em figurações especiais de elementos das associações culturais locais (Associação Artesãos da Trofa, Associação Recreativa, Cultural e Desportiva de Balteiro, Associação Cultural, Desportiva e Recreativa de Santa Marinha, Cooperativa de Linho de Limões e Cooperativa de Linho de Cerva).
No final do espetáculo, homenageou-se o teatro amador de um grupo de amigos que, em 1978, representaram pela primeira vez a peça Lubis-homem, em Ribeira de Pena. Entre os atores encontravam-se Isabel Guerra Alves (Mariana), Jorge Sousa (Carlos de Ataíde/Lubis-homem), Álvaro Borges (João da Eira), António Rodrigues (O Vigário de S. Salvador), Ilda Fonseca (Miquelina do Prado), Amadeu Borges (Encamisado), Manuel Sousa “o Cabacinha” (Encamisado). A produção e encenação dos anos 70 estiveram a cargo de João Vilela e Manuel Vilela.
As duas representações teatrais de Lubis-homem tão distanciadas no tempo vêm comprovar e reforçar a ideia de que Camilo Castelo Branco é um elemento fulcral na identidade e na memória cultural dos ribeirapenenses.